COVID-19: Qual é a taxa de mortalidade do Coronavírus no Brasil?


Imagem com a pergunta "Qual é a taxa de mortalidade do Coronavírus no Brasil?"


Segundo a Norma Técnica redigida pelo Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde (NOIS) da PUC-Rio, como o Brasil tem uma população mais jovem, comparado com países como a Itália ou Espanha, e pelo país ter reportado os primeiros casos mais tardiamente, a taxa de mortalidade base deveria ser 1,3%. Porém, segundos dados do Ministério da Saúde do Brasil, a taxa de mortalidade está em 6,3% (dados atualizados em: 15:30,16/04/2020). ✅ POR QUE A TAXA ESTÁ MAIS ALTA DO QUE O PREVISTO? Essa mesma Norma Técnica que citamos no início demonstra que os países com maior taxa de letalidade observada estão entre os que apresentam maior subnotificação, ou seja, há muito mais casos positivos de Coronavírus no Brasil e esses casos não estão sendo contabilizados porque não foram testados. ✅ E O QUE ISSO QUER DIZER? Quer dizer que provavelmente os casos notificados são apenas 8,0% do que realmente temos hoje (dados descritos pela NOIS, 2020). Pesquisas realizadas no mundo todo demonstram que pessoas assintomáticas (que tem a doença mas não apresentam os sintomas) são responsáveis pelo maior número de transmissão da doença. ✅ MAS ISSO É RUIM? Sim, pois muitas pessoas podem estar transmitindo sem saber (inclusive para seus colegas e familiares do grupo de risco). Com a subnotificação não é possível avaliar e manejar com clareza os recursos hospitalares necessários, como leitos de UTI e ventilação mecânica, além de não ser possível uma avaliação pautada em dados seguros em relação às políticas de distanciamento social efetivas para cada região. ✅ ENTÃO SE A TAXA DE MORTALIDADE É MENOR QUER DIZER QUE A DOENÇA NÃO É TÃO GRAVE? Errado! O Coronavírus tem uma capacidade muito grande de contágio, muitas pessoas que serão infectadas precisarão ser internadas em UTI e precisarão fazer uso de aparelhos, como o respirador mecânico. Se não houver leitos e aparelhos suficientes, essas pessoas correm risco de morte. O elevado grau de subnotificação pode sugerir uma falsa ideia de controle da doença, o que pode gerar um colapso ainda maior no sistema de saúde a longo prazo. Além do mais, estamos falando sobre vidas. Toda vida importa: uma ou 7 mil!


Carolina Godoy

CAROLINA GODOY

Gerontóloga e Proprietária da empresa GERATIVIDADE. Capacitada em Estimulação Cognitiva Intergeracional pelo Instituto de Pesquisa Sírio Libanês e Especialista em Reabilitação Neuropsicológica pela UFSCar.

Contato: geratividadesjc@gmail.com




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