O animador sociocultural só serve para “brincar”?


Durante muito tempo a era de estudos e aprendizados foi associada à infância, como se fosse a única etapa importante para inserção de novos conhecimentos, para que depois, durante o percurso da vida, pudessem ser apenas aprimorados na fase adulta e então adormecidos na velhice. Atualmente, os pensamentos surgem na contracorrente, afirmando que estamos sujeitos à novos conhecimentos em todas as fases da vida. O campo de estudo do lazer aparece então como grande impulsionador e catalisador destes novos processos de aprendizado pessoal e social, principalmente no que concerne à esfera da inserção humana. Na ressignificação das etapas do processo de envelhecimento, sempre bom levar em conta a percepção do papel e imagem social do idoso, mostrando do que eles são capazes, e que também são capazes de aprender a qualquer momento. O animador sociocultural aparece então neste momento, para valorização, aprimoramento e gerenciamento da ressignificação da velhice, da importância do processo de envelhecimento, entre outros aspectos produtivos utilizando elementos do lazer e “tempo livre”. O profissional da animação sociocultural tem a importância da ação mediadora dentro das novas demandas contemporâneas.

“A competência deste profissional, para além dos espaços (in)formais de educação, passa pela criação e viabilização de oportunidades para a (re)integração e inclusão social do idoso, tendo, no universo dos conteúdos culturais do lazer perpassado pelo elemento lúdico, estratégias adequadas ao fomento dos princípios de independência, participação, auto-realização e dignidade humanas.” Um fator chave para uma progressão desse cenário é a criação de ambientes motivadores e coerentes com as expectativas e necessidades básicas desta faixa etária (SCHWARTZ, 1998). Porém mesmo com idades cronológicas parecidas, cada indivíduo tem a sua particularidade, o que deve ser relevado e muito bem observado pelo animador. Essas singularidades possibilitam a compreensão de diferentes personalidades, e consequentemente diferentes reações para cada ação tomada. “Embora detenham características comuns dentro da mesma faixa-etária, o animador deve ter clareza das peculiaridades que conferem singularidade na pluralidade do grupo, como condição para compreender a gama de motivos pelos quais uma mesma situação desencadeia reações diferentes em cada uma delas, tanto em natureza e intensidade, como, também, em magnitude.” (BARBOSA & CAMPAGNA) Concluímos então que o papel e a responsabilidade do animador sociocultural estão intimamente ligados com a valorização, aprimoramento e evolução da população idosa. O reconhecimento do ‘perfil-criança’ de cada um e encorajamento do lúdico induz positivamente o bem-estar e aprimoramento interpessoal daqueles afetados pelos antagonismos sociais. As idéias sobre a animação sociocultural face ao segmento idoso da população, motivam o encaminhamento das sugestões práticas e constituem-se num convite ao exercício crítico e criativo do leitor, para adaptá-las à sua realidade profissional.


DÉBORA BAUNGARTNER

DÉBORA BAUNGARTNER

Turismóloga, escreve na coluna de Lazer e Turismo do BLOG GERATIVIDADE toda segunda semana do mês.

debora.baungartner@gmail.com


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