Envelhecer longe de casa

Hoje falo sobre uma questão muito pessoal, mas que envolve uma série de atributos e reflexões que podem servir para tantos outros que vivem o mesmo momento, passam pelas mesmas experiências e sabem do que estou falando.

O texto desse mês será então em primeira pessoa, mas com certeza muitos irão se identificar.

Há um pouco mais de um ano atrás, surgiu uma angústia dentro de mim que clamava por mudanças. Uma agonia que eu sabia que deveria sair da inércia, trocar de capítulo, encontrar novos ares, mudar o rumo do meu envelhecimento.

O tempo não para. O tempo não espera. Enquanto o tempo continua a passar, envelhecemos. O que nos motiva a tomar decisões e fazer escolhas é justamente optar por qual prisma deseja assistir à nossa própria evolução. Escolher morar longe (mas longe mesmo) da família e da sua terra natal é escolher envelhecer com saudade. Mas também com orgulho da coragem. Escolher morar longe é escolher um envelhecimento distante da família e de tantas pessoas e locais que amamos. É saber que perderá de estar presente em momentos marcantes da vida de entes queridos. Porém ao mesmo tempo é saber que escolheu envelhecer do outro lado do mundo porque aquilo te traz muitos outros benefícios para o seu processo de revigoramento e aprendizado.

Envelhecer é um longo processo de aprendizado, e no atual momento da minha vida eu escolhi envelhecer sob outra perspectiva. Muitas dúvidas me assolam quando me dou conta do quão distante eu estou, e de como o cenário que encontraria no retorno seria completamente diferente do que eu deixei. Assim como eu envelheci, aprendi, mudei durante todo esse tempo que já estou fora; as pessoas com quem eu convivia e os lugares que eu frequentava também sofreram alterações e evoluções.

É difícil pensar nas fases da vida, em como elas foram e como serão daqui para frente, analisando apenas aquilo que deixamos para trás. O segredo para nos orgulharmos por essas difíceis decisões é olharmos para tudo que conquistamos por causa e a partir delas. Há sempre o lado bom e lado ruim de todas as decisões que tomamos sobre a vida. Há sempre os pontos positivos e negativos das escolhas que fazemos em relação ao modo de como desejamos envelhecer. Mas o que importa, é a maneira com que você vai escolher para que esse envelhecimento (paradoxalmente) te rejuvenesça. Quando penso no tempo que passou desde que cheguei à Lisboa, de como passo menos tempo com família e amigos que deixei no Brasil, em como as circunstâncias não são assim tão simples...penso o quanto a vida está passando depressa, e tenho medo de envelhecer perdendo muita coisa pelo caminho. Contudo ao mesmo tempo, quando paro e penso nas pessoas e em tudo que já conquistei no meu novo lar, sinto que rejuvenesci! Ou seja, sinto que mesmo envelhecendo biologicamente falando, rejuvenesci psicologicamente. Mudança faz bem para alma e para a mente. Nunca é tarde para analisar se o cenário do seu processo de envelhecimento hoje te preenche. Você nunca é “velho demais” para isso, pode acreditar.


DÉBORA BAUNGARTNER

DÉBORA BAUNGARTNER

Turismóloga, escreve na coluna de Lazer e Turismo do BLOG GERATIVIDADE toda segunda semana do mês.

debora.baungartner@gmail.com


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