Cidades Criativas


Mas espera...uma cidade pode ser criativa? Isso não seria um adjetivo para designar uma pessoa? Sendo assim, o que se entende por cidade criativa? Qual a relação entre as atividades culturais e inovadoras desenvolvidas dentro de uma cidade, com a sua caracterização por ‘cidade criativa’?

A economia e a cultura sempre foram dois conceitos que apesar de bastante distintos, andam lado a lado, principalmente no que concerne à alternância de valores. As cidades modernas baseiam-se na alternância da valorização cultural e do crescimento econômico para sobreviverem. Quando determinado local começa a decair economicamente, o mesmo começa a ser um espaço urbano abandonado. Dessa maneira, o lugar começa a perder sua vitalidade, causando um mal aspecto em seu entorno, e podendo trazer consequências negativas para a imagem do local.

São nestes casos e nestas situações que surgem as cidades criativas. O desenvolvimento urbano hoje em dia está intimamente associado à criatividade humana e a capacidade de inovação. Quando uma cidade, um bairro, um espaço urbano está em crescente degradação, surgem projetos e atividades culturais que trarão outra característica para o local, mudando o foco e a imagem negativa adquirida com a decadência da economia. Consiste na relação que a criatividade urbana exerce no desenvolvimento das cidades, promovendo o território e podendo talvez até potenciar novamente a vertente econômica da região. Os pilares designados por Costa; Seixas & Oliveira (2009) para uma cidade criativa são: criatividade, vitalidade e competitividade. Os conceitos de criatividade e de vitalidade estão intimamente ligados, pois dizem respeito à ideia de ‘ressuscitar’ um local que acabou por ficar abandonado. A criatividade traz novos conceitos e novas alternativas para um lugar que já teve grande relevância, mas que foi passageiro. Criatividade dentro do conceito urbano equivale ao dinamismo, à múltiplos acontecimentos, à inovação e ao reconhecimento.

A vitalidade urbana é o ressurgimento do espaço. A vitalidade urbana é como o próprio nome diz, dar ‘vida’ ao local. Ela gera movimento, energia, ação, força, criando novas perspectivas e atividades para determinado lugar. De acordo com Costa; Seixas & Oliveira (2009) há três componentes que estruturam e produzem essa energia capaz de trazer vitalidade à qualificação urbana. A primeira componente são as atividades, ou seja, os acontecimentos que exigem a presença de pessoas. A segunda componente são as transações, que basicamente são as trocas, as relações, os acordos, as conversas. A terceira componente é a diversidade, no que concerne à pluralidade encontrada. E todas essas três componentes podem ser aplicadas e analisadas nos parâmetros econômico, social e cultural, pois a abrangência em diversos setores é extremamente importante para o desenvolvimento e revitalização do espaço urbano de maneira eficiente e eficaz.

Neste sentido, pensando na eficiência e na eficácia, é que entra a competitividade urbana das cidades. A competitividade cria a ideia de todo um processo, no qual a cidade gera qualidade de vida e bem-estar para os seus moradores e visitantes em constante transformação, e não somente em um estado latente. Mesmo mantendo uma conexão com os conceitos de vitalidade e criatividade, uma cidade competitiva não necessariamente é uma cidade criativa. A cidade competitiva é eficiente e eficaz para os seus frequentadores, mas não necessariamente inovadora, com múltiplas atividades culturais, criativa. Contudo, uma cidade criativa acaba por ser uma cidade promotora da competência da localidade. Uma cidade criativa gera a ideia de um bom funcionamento do município, promove a imagem de comunhão das atividades culturais com os serviços básicos.

Pensando no potencial que o espaço urbano pode ter se combinado com atividades culturais, entramos na discussão entre mobilização e consenso. A mobilização torna-se elevada quando o público-alvo de determinada atividade, ou determinada instituição adere à decisão e à iniciativa. O consenso aparece quando certas atitudes são consideradas benéficas para a população em questão, ou para a sociedade como um todo.

E o que isso tem a contribuir para a população de uma maneira geral? A qualidade de vida gerada por esses novos conceitos de vitalidade, criatividade e competitividade pode gerar mobilização e consenso em diferentes grupos, influenciando o funcionamento das cidades urbanas como um todo.



DÉBORA BAUNGARTNER

Turismóloga, escreve na coluna de Lazer e Turismo do BLOG GERATIVIDADE toda segunda semana do mês.

debora.baungartner@gmail.com

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