Diálogo Cultural


Vamos falar de cultura? Quando pensamos na palavra por si só, ela pode nos remeter a diversos significados; em diferentes campos de estudo. Ela pode ser ao mesmo tempo totalmente esclarecedora, como pode abrir um leque de interpretações. A palavra CULTURA pode assumir diferentes significados dependendo do campo em que é estudada, pode carregar muitas histórias que a definam, mas também é capaz de escrever muitas histórias.

Dentro do âmbito das ciências sociais, a cultura pode entender-se por aquilo que é valorizado e praticado por uma sociedade. Maneiras de agir específica para determinados grupos, sejam eles delimitados por nação, por etnia, por faixa etária, por sexo, por religião, por preferências artísticas, por inclinações políticas, etc. Liga-se cada vez mais ao conceito de nação, revelando a alma de um povo. A cultura surge como um conjunto de conquistas artísticas, intelectuais e morais que constituem o patrimônio de uma nação, considerado como adquirido de uma vez por todas, e que fundam a sua unidade.

Há diversas definições de cultura praticadas, porém algumas delas remetem bastante à ideia de evolução, como a definição feita por Cuche (1999): “A cultura é a soma dos saberes acumulados e transmitidos pela humanidade, considerada como totalidade, no curso da sua história.” Ou então, a definição feita por Eliot (1996): “A cultura é usualmente associada à ideia de progresso, de evolução, de educação, de razão, de pensamento vivo e ativo.”

O progresso nasce da instrução e da cultura em crescimento constante. A cultura também pode ser vista como erudição e sinônimo do conhecimento profundo de sabedoria acumulada ao passado. E é nesse aspecto que associamos a cultura ao processo de envelhecimento. A medida em que os indivíduos envelhecem, o tempo passa, e a sociedade evolui. Conforme novos valores vão surgindo, o pensamento e a sensibilidade de expressão tornam-se mais apurados. Alguns dos antigos valores desaparecem por completo, enquanto outros são criados e assumem uma compensação imprescindível.

Na antiguidade, a cultura de um povo (no sentido de nação que mencionamos acima) era passada de pai para filho, de geração em geração, apenas pela oralidade. Ou seja, a transmissão do saber, das crenças, dos folclores, dos costumes, era feita através de relatos dos antepassados e assim a cultura era transformada e compartilhada. As mudanças aconteciam com o passar dos anos em uma mistura daquilo que de fato acontecia, com aquilo que era meramente ponto de vista de quem os contava. Partimos do princípio que todo ser humano tem sua cultura e a promove na medida em que se comunica com o outro (Freitas & Costa, 2002). Ao refletir sobre a identidade cultural de pessoas mais velhas, queremos também refletir sobre a história do envelhecimento da mesma e da nação e sociedade à qual pertenceu, para assim podermos entender quais as contribuições que nos trouxeram.

A cada nova geração, os modos, comportamentos as expressões verbais e as histórias populares vão sendo esquecidas ou assumem novos significados. Pensando na importância de uma revalidação dessas histórias, devemos nos atentar a como o processo de registro e estudo do envelhecimento torna-se importante para contribuir na construção de mecanismos de preservação da cultura popular.

DÉBORA BAUNGARTNER

DÉBORA BAUNGARTNER

Turismóloga, escreve na coluna de Lazer e Turismo do BLOG GERATIVIDADE toda segunda semana do mês.

Contato: debora.baungartner@gmail.com

Posts Em Destaque
Posts Recentes