Gerontólogo e Pai: a surpresa que enriquece a vida

Leitores e leitoras deste blog, muito prazer! Com muita honra aceitei o convite dela que já foi uma das pessoas mais importantes da minha vida no segundo momento mais importante da minha vida. Explico: Carolina Godoy esteve muito presente durante os meus cinco anos de graduação, como uma amiga para todos os momentos e desafios daquela meia década. Nos tempos atuais permanecem, como uma estrutura de titânio, o carinho, a torcida e a admiração. Por essas razões, admito, sinto-me um pouco nervoso enquanto escrevo estas linhas. Deixo, ainda, meu pedido de desculpas pela ausência contumaz. Retomarei esse assunto nas linhas finais. Afora essa atualização de status de amizade, vamos ao que importa. Fui convidado para escrever um texto em comemoração ao mês do gerontólogo, cuja data de comemoração foi no dia 24 de março, como vocês bem acompanharam nesta página. Outro comentário antes de iniciar (será que por saudade?), o qual me parece apropriado, sobretudo para aqueles que nos acompanharam durante o período de formação. Em todos os trabalhos que foram apresentados por grupos nos quais eu fiz parte, havia uma máxima: sempre utilizar a primeira pessoa do plural, nunca a primeira pessoa do singular. Desta vez, como já podem perceber, utilizo, talvez até de maneira saturada, o “eu” como articulador da escrita, pronome este que está perdendo espaço para o pronome “ele”, como verão abaixo. Como tem sido a minha vida após a formatura? Vocês certamente leram algo do tipo nas redes sociais, em sites, neste blog etc. Vamos mudar um pouco a pergunta: como tem sido a minha vida de gerontólogo tendo um elemento em minha existência que a mudou por completo e para sempre? Apresento-lhes, pessoal, meu filho, o pequeno Luigi Zomparelli.

Revelação. Nunca quis ser pai! Eu imaginava que minha vida acabaria se um dia eu tivesse um filho. Como eu estava enganado. Como eu estava deliciosamente enganado! Prometi a mim mesmo que neste texto não haveria nenhuma referência bibliográfica. Entretanto estou no quarto parágrafo pensando em citar ao menos uma, mas o farei apenas com o intuito de parafrasear o título do livro O show do Eu: a intimidade como espetáculo, de Paula Sibilia (2008). Estou vivendo, meus caros e caras, o show do ele. Simplesmente impressionante o quanto passamos a valorizar coisas pequenas do ponto de vista biológico: conseguir fazer coco; arrotar; conseguir movimentar voluntariamente as mãos, observando-as, pensando não sei o quê; tomar gosto pela água; etc. À luz de questões sociais: a preocupação com o número de fraldas, lencinhos e pomadas que há no armário; as cenas lindas que se vê quando eles estão em contato com os avós, tios, tias etc. A preocupação com o futuro, mesmo que o bebê ainda não tenha completado nem ao menos um ano de vida. Falemos um pouco de psico: e quando eles demonstram a saudade que sentem quando ficamos distantes ou a alegria quase indescritível quando nos vê ao chegar tarde da noite após um dia de trabalho? Ah! Claro! E o quanto os achamos mais incríveis do que qualquer outra criança, pois acompanhamos de perto a aprendizagem de tudo que há de mais simples na Terra? Puro, leve e impagável.

No processo biopsicossocial que é o envelhecimento, alguns defendem que esse processo inicia-se na fecundação; outros, após o nascimento; outros, após os 40 anos de idade e tantos outros que defendem seus argumentos e tal. Hoje faço parte do primeiro grupo, pois a organização para receber um bebê em casa é impressionante. A expectativa que sentimos, mesma coisa. Ou seja, há no imaginário de muitos pais uma quantidade enorme de realidades e sonhos sobre a criança que ainda nem nasceu. E o mais legal: é ótimo mesmo que isso aconteça. Há uma renovação de muitas das esperanças perdidas, mas deixemos isso para outro momento. Ainda no âmbito de definições básicas sobre o envelhecimento, processo de perdas e ganhos, e aí caso com o início deste texto: antes eu tinha muito mais tempo para ajudar a todos os colegas da faculdade, conversar, estudar, mas não fazia mais do que 400 reais por mês. Hoje, felizmente, tenho (ganho) um emprego apaixonante, ao qual me dedico todos os dias da semana, trabalhando e estudando, na mesma intensidade como fiz na faculdade, mas tenho pouco tempo (perda) para aproveitar algumas atividades importantes da vida. Não digo isso, evidentemente, como uma lamentação. Estou apenas corroborando um fato e dando um exemplo pessoal, o qual, graças!, não se aplica a todos. Aos meus amigos que me acompanharam em anos anteriores, a mesma dedicação que perceberam em mim (espero ter deixado isso claro), podem apostar que a aplico também nas minhas atividades atuais, com pessoas tão queridas quanto vocês. Só um comentário. Sinto uma saudade ferrada de vocês todos.

E assim vou encerrando minha participação aqui, citando os dois momentos mais importantes da minha vida: a graduação e a paternidade. Hoje, nada é mais importante na minha vida do que o Luigi. É impossível, após estudar Gerontologia, não acompanhar o desenvolvimento e envelhecimento do meu filho sem lembrar de muito do que os professores ensinaram e propuseram como aprendizagem. Não poderia encerrar sem deixar meu agradecimento infinito para a minha companheira de sempre, Cíntia, minha esposa e uma mãe espetacular.


Giuseppe Zomparelli Gerontólogo pela Universidade de São Paulo. Convidado especial no Blog Geratividade. giuseppelucaszomparelli@gmail.com

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