Ser real nos dias atuais...


A globalização seria culpada por nossa atual realidade? Ou seriam nossas atitudes responsáveis pela condição da vida humana? Culpa do governo? Culpa da limitação da realidade? Culpa, culpa, culpa... de quem?

Parece batido pensar sobre o sentido da vida, seja ela em nível individual e até mesmo coletivo, mas quando foi a última vez que você parou para avaliar o que tem esperado da sua própria vida, dos seus familiares, da sua profissão, dos seus amigos e até mesmo da sociedade. Quando? É provável que, a resposta seja todos os dias! Mas como todos os dias?

Talvez a idéia que pode se ter acerca do ato de pensar sobre o sentido da vida, seja limitado à imaginação de um momento, onde se possa realizar uma pausa das atividades corriqueiras do cotidiano, ausentar-se de pessoas e de preocupações (relacionadas há diversos segmentos da vida), sentar-se (ou se-deitar, caso seja a sua vontade) de maneira confortável e de preferência sem interrupções e distrações. É esperado que momentos assim promovam um relaxamento físico e psíquico, porém eles não se encontram frequentemente presentes na vida da maioria dos seres humanos.

Seria de grande valia que todos experimentassem uma pausa para estar consigo, e ampliar ao máximo o contato com sua própria personalidade. Mas frente as constantes transformações (como por exemplo: tecnologias, automação industrial, cenário profissional, climáticas, culturais, etc.) se torna inevitável e dissociável imaginar que a rotina e os comportamentos dos seres humanos não sejam afetados por tamanhas transformações. Afinal, quantas variáveis atuam no período de 24 horas? Acredito que muitas!

Estando em jogo uma série de questões pertinentes ao existir, nós seres humanos estamos sujeitos a incontáveis situações que promoverão mudanças cognitivas, afetivas e comportamentais. O que nos leva a pensar, seriam estas mudanças positivas em alcance individual e coletivo? É possível que não, por serem dimensões que atuam cada uma de acordo com a sua própria natureza, talvez, o individual esteja mais próximo das necessidades privadas do indivíduo, enquanto, ao coletivo seja direcionada os interesses e necessidades a partir de relacionamentos interpessoais.

E é refletindo sobre estas possíveis mutações, que nos deparamos com dúvidas existenciais. O que nos dias atuais se é preciso para ser real? Seria estar satisfeitos com os aspectos físicos? Com a remuneração obtida profissionalmente? Com o reconhecimento obtido virtualmente? Com a vantagem de aparentar constante felicidade? Ou com o interminável desejo pela perfeição? É bem provável que a interminável busca pela perfeição atue no centro da motivação humana em diferentes contextos e níveis, mas, quais sentimentos alimentam esta constante autopunição? Quais argumentos sustentam a pertinente insatisfação consigo? Saúde ou doentio esta experiência paradoxal?

As possibilidades são inúmeras! Porém, é o contato com o desenvolvimento unilateral, que nos aponta o norte para um possível desenvolvimento pessoal insuficiente. Limítrofe? SIM! A realidade concreta, se mostra prisioneira de sua própria limitação. Fatores que despertam questionamentos, respostas, vivências e respostas, acerca do quanto a realidade (seja ela unilateral quando o assunto são limites) é necessária para nosso próprio existir. É partir do contato com essa tal realidade limitada, que enquanto seres humanos descobrimos possíveis pontos fracos, situações dolorosas, perdas irreparáveis, sentimentos contraditórios, desafetos, frustações, entre outras experiências subjetivas.

E neste momento questiona-se, qual a relação entre a globalização e a modernização frente à experiência de ser real. Ao meu ver, ser real nos dias de hoje compete em ter milhões de seguidores nas redes sociais, viver uma vida ilimitada de prazeres, obter de maneira imediata reconhecimento social e possivelmente dependência na produção de dopamina (#felicidadeagoraesempre). Afinal, o que temos a perder com tantas possibilidades “positivas”? Quase nada?

Penso que perder metade da realidade, representa uma perda significativa de possibilidades de quem de fato somos (e rejeitamos), a ponto de exercermos em nós mesmos, uma vida baseada literalmente em fantasias, nas quais a realidade nem sempre será bem-vinda (cabe aqui as situações de frustações/contato com a realidade).

E estando atento para estas possíveis alterações nos estilos de vida, que surge a oportunidade, para que nós seres humanos (profissionais da área da saúde ou não) exploremos ao máximo nosso próprio ser. Nos sujeitando a questionar e conhecer quem julgamos ser, qual a forma de tratamento que damos para nós mesmos, como lidamos com nossa subjetividade. De certa forma, aprofundar a relação que temos conosco mesmo. Permita-se conhecer.

E pensando neste contexto de autoconhecimento, e contribuindo com a campanha Janeiro Branco, surgiu o projeto Se_Mentes, fundado pelos psicólogos Rafael Fabregas de Oliveira (CRP:06/114572) e Marcele S. Vieira (CRP:06/109378), que tem como objetivo unir diversos profissionais e a contribuição de suas áreas de atuação, para a divulgação da conscientização da importância de cuidar da saúde emocional. O projeto conta com apoiadores como: fisioterapeutas, psicólogos, educares físicos, coaches, gerontólogos, médicos e arteterapeutas, formando uma corrente do bem, divulgando informações às pessoas e a relevância de procurar profissionais qualificados para cuidar da saúde emocional.


MARCELE S. VIEIRA

É graduada pela UNITAU- Universidade de Taubaté, Pós graduada nível aprofundamento em Psicooncologia pelo CEPPS (Centro de Estudos e Pesquisas em Psicologia e Saúde) e Pós Graduada em Arteterapia pelo NAPE (Núcleo de Arte e Educação).
Atualmente é pós graduanda em Psicologia Analítica Junguiana pela UNISAL.
Realiza trabalhos voltados a carreira, palestras de diversos temas, treinamentos, oficinas de arteterapia e atendimentos clínicos com adultos e idosos. CONTATO: (12) 98164-8763 E-mail: marcelevieira87@gmail.com


RAFAEL FABREGAS DE OLIVEIRA

Bacharel em Psicologia pela Universidade de Taubaté – Unitau, formação em Intérprete de LIBRAS pela Faculdade Dehoniana de Taubaté. Atualmente pós graduando em Psicologia Analítica na Universidade Salesiana – Unisal.

Realiza trabalhos direcionados ao acompanhamento psicológico clínico com adultos e idosos, orientação profissional e palestras relacionadas à temática de saúde e bem-estar. CONTATO: (12) 99741-7940 E-mail: arquetipos.terapeutico@yahoo.com

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