A importância de uma lembrança


Site: G1 - matéria jornalística

Qual o valor das nossas memórias? Já se perguntaram como as nossas lembranças podem ser úteis para construção de um cenário histórico? Nossas impressões perante determinados acontecimentos, levando em conta nossas experiências anteriores e o contexto inserido (tanto no passado quanto no presente), podem ser fontes riquíssimas para a construção de história oral.

A história oral entende-se por um método de pesquisa onde é possível recolher experiências, opiniões e sensações, tanto antigas quanto atuais das personagens de determinado momento ou objeto histórico, através de depoimentos (ALBERTI, 2005). Ou seja, cada um de nós podemos nos tornar relevantes instrumentos de pesquisa para a posteridade, levando em conta nossas experiências e impressões que temos dos acontecimentos vividos. A narrativa desses acontecimentos, se registradas, podem ser objeto de estudo para futuros projetos.

“Ao longo de nossa trajetória de vida, colecionamos diversas histórias que nos são contadas, vivenciamos intensos momentos que guardamos como relíquias de nosso passado e presenciamos acontecimentos que produzem marcas para além do tempo. Todo esse material se constitui, juntamente com outros elementos, em matéria-prima para a subjetividade. Lapidada pela ação do tempo e do espaço, essa matéria toma corpo na memória, tanto dos sujeitos quanto de seus grupos sociais”. (Correa & Justo)

Por isso, os idosos são vistos como referências na narrativa e descrição de saberes, já que possuem experiências acumuladas ao longo dos seus anos de vivência e podem ser transmitidas aos mais jovens como grandes ensinamentos. Apropriar-se da memória das pessoas mais velhas, e repassar os legados culturais que ela contém é reconstituir o passado, criando a possibilidade de ser atualizado e narrado de uma forma diferente daquela contada nos livros.

O ato de contar histórias, tão conhecido e tão exercidos entre grupos de amigos e famílias, pode tornar-se relato precioso dentro da elaboração de uma linha histórica, analisando diferentes pontos de vista. A função do contador de histórias da família pode ter uma vertente mais abrangente do que meramente recreativa – pode exercer a função de reproduzir e transformar uma realidade. Topa o exercício? Que tal efetuar um registro escrito para ser analisado depois de um tempo (duração que nós mesmos podemos determinar para analisarmos as mudanças e impressões)? Quem é o contador de histórias da sua família?


DÉBORA BAUNGARTNER

Turismóloga, escreve na coluna de Lazer e Turismo do BLOG GERATIVIDADE toda segunda semana do mês.

Para contato: debora.baungartner@gmail.com

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