Sobre a morte e o morrer


Antes de mais nada vamos resgatar as perguntas feitas em publicação anterior para melhor inserirmos os novos apontamentos sobre a morte e o morrer e mais que isso reforço que há grande “GAP" nas vivências e conteúdos sobre a morte ainda em nossa sociedade, aos interessados e profissionais que vivenciam tal contexto, estimulo fortemente o aprofundamento e criação de espaços para discussão em diferentes esferas.

Como responder as perguntas: “como é o morrer para os orientais, judeus, indígenas entre outros, você conseguiu investigar como seus avós e bisavós lidavam com a morte e também pensar como você vivencia e entende a morte?

Realizei busca por palavras-chave “morte”, “sociedade”, “enfrentamento” em bases científicas constatando mais uma vez a limitação de publicações sobre o assunto, mas quando penso em como vivenciamos a mesma no Brasil em muitos dos casos me vem as cenas apresentadas pelo curta metragem criado por Javier Recio Garcia e produzido por Kandir Graphics, ganhador de melhor Oscar de melhor curta de animação em 2009 que compartilho com vocês:


Aproveito o ensejo para compartilhar que o Caixa Belas Artes em São Paulo tem promovido mensalmente o Cine Clube da morte a programação iniciou-se em agosto com ingressos esgotados e nesse mês será exibido em 12 de setembro o filme Invasões Bárbaras, de Denys Arcand (2003), faço esse adendo,pois acredito no poder de transformação da arte e do cinema.

Voltando ao foco que é o olhar de outras tribos e guetos em seu artigo Kovács, M. J. (2008) cita o livro “DEATH AND BEREAVEMENT ACROSS THE CULTURES”, no qual abordam os principais temas e rituais de várias culturas, entre as quais: a hindu, a budista, tibetana, a judaica, a cristã e a islamita, do qual não consegui ter acesso infelizmente, acredito ser uma ótima ferramenta de aprofundamento.

Kovács, M. J. (2008), traz concepções sobre o morrer nos Estados Unidos, sendo observada grande influência da TV o que faz com que o indivíduo perca sua privacidade e individualidade, além disso, nas casas de funerais há serviço especializado em maquiar a morte para tornar a morte menos visível.

Por sua vez MCCALLUM, Cecilia (1996), estuda e relata o enfrentamento da morte, crenças e cultura dos índios Kaxinawá, os mesmos acreditam que a morte resulta da combinação de fatores humanos e celestiais, diferenciando-se entre os homens e as mulheres, a passagem da morte é envolvida por cânticos e rituais, devendo o corpo ser posicionado na sepultura com a cabeça voltada para o nascer do sol.

Já sobre o judeus pude me aproximar um pouquinho dos costumes em um dos estágios que fiz durante a faculdade em que pude conhecer a partir de um centro de cultura judaica alguns costumes, me corrijam se estiver errada, mas o óbito requer alguns preparos do corpo que deve ter seus olhos fechados imediatamente após a morte, preferencialmente por um dos filhos, o que significa que aquela pessoa fechou os olhos para o mundo físico e agora está envolto pela paz celestial. Além disso, é realizado um banho que caracteriza que de onde vieram irão voltar,semelhante ao primeiro banho dado ao nascer e as vestimentas em geral são mortalhas brancas simples e o enterro deve ocorrer o mais breve possível,pois segundo o judaísmo a alma só descansará após o enterro que dará início ao Shivá, período de setes dias após o enterro.

Por fim, deixo algumas sugestões de livros desenvolvidos e pensados para que a morte possa ser vivenciada de maneira mais próxima pelas crianças:

  • Babette Cole : Caindo morto.

  • Lívia Izecson de Carvalho: Cadê meu avô?

  • Karen Bryant Mole: O que está acontecendo? Morte

  • Márcia Széliga: Do céu ao céu voltará.

  • Victoria Ryan: quando seus avós morreram.

Agradeço publicamente o profissionalismo e carinho da GerAtividade, aproveitando para parabenizar seu primeiro ano de atuação de muitos que ainda estão por vir.


GABRIELA DE CARVALHO

É Gerontóloga, escreve na coluna de Gerontologia do BLOG GERATIVIDADE toda primeira semana do mês.

contato: gabrielacgerontologa@gmail.com

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