A identidade cultural dentro de uma viagem


Acervo Pessoal Débora Baungartner

Mês passado falamos sobre o processo de escolha de um destino de viagem e fatores consideráveis para a elaboração de um roteiro. Todos esses pontos nos levam a enxergar melhor nosso “perfil viajante”. A descoberta desse “eu viajante” é também a descoberta de um novo lado de nós mesmos. Lembram-se que falamos sobre turismo e sobre lazer como construtores de uma memória afetiva? Os lugares que visitamos; as pessoas que conhecemos e com quem nos relacionamos; as atividades a qual desprende nosso tempo; as diferenças com as quais nos deparamos; as reflexões que fazemos, tudo isso constrói o que podemos chamar de identidade cultural.

A cultura é tomada como recurso, “utilizada como atração para o desenvolvimento econômico e turístico” (YUDICE, 2004, p.11). Naturalmente, esse posicionamento que toma a cultura como uma mola propulsora somente quer acrescentar funcionalidade à compreensão de que a cultura implica nas interpretações que fazemos dos fatos do mundo, das vivências de forma compartilhada (GEERTZ, 1978).

Nos tempos antigos, das Grandes Navegações, a maior força-motriz de uma viagem era a busca pelo desconhecido; anseio por desbravar terras ainda não encontradas no mapa. Hoje, as pessoas já têm ideia do que vão encontrar ao viajar para determinado local, mas elas buscam suas próprias impressões. Elas buscam um encontro consigo mesmo e com suas preferências em um local diferente da sua casa.

Independentemente se você é aquele viajante que planeja seu deslocamento com meses de antecedência, viaja em pacote de excursão com guia e roteiro pré-definidos, leva tudo anotado e não deseja sair da programação pré-estabelecida; ou se você é um viajante mais ‘solto’, que toma suas decisões de acordo com a situação apresentada, que não faz roteiros muito detalhados e deixa que o percurso da viagem se encarregue das escolhas. Independente de qual maneira você aja, você quer se descobrir em novos lugares. Em ambos os casos, quer conhecer suas atitudes perante situações e locais que não fazem parte da sua rotina.

Por isso, pode-se dizer que o turismo propicia um grande aprendizado sobre nossa própria identidade cultural. São em momentos fora da nossa zona de conforto que enxergamos nossos maiores medos, sonhos e conquistas.

Para o próximo mês, fica a reflexão: além do turismo, quais outros fatores que contribuem para a construção da nossa identidade cultural ao longo da vida? Como podemos estimulá-la?

DÉBORA BAUNGARTNER

Turismóloga, escreve na coluna de Lazer e Turismo do BLOG GERATIVIDADE toda segunda semana do mês.

Para contato: debora.baungartner@gmail.com

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