O QUE A MORTE REPRESENTA?


Entendo que falar sobre a temática da morte carrega grande responsabilidade, mas nessa primeira discussão trarei reflexões em que não findaremos aqui qualquer pensamento ou elucidação sobre o tema.

Procuro em minhas publicações compartilhar experiências já vividas em âmbito profissional e pessoal. Antes de mais nada é necessário olhar a morte como uma fase parte do processo de envelhecimento, fase integrante da vida, não se trata um processo ou ciclo apartado.

Sempre que falo de morte penso sobre como me deparei com esse contextos em diferentes fases da minha vida, na infância entendi a mesma como a possibilidade de virar estrela com olhar inocente e mais distante a partir do que tinham me contado, já na adolescência me lembro de ter vivenciado a morte indiretamente, quando o pai de uma amiga próxima morreu, vivia esse momento mais uma vez pelos olhos de outra pessoa, entendia ali que morte podia significar ausência. Já na fase adulta dentro da rotina e realidade de um hospital de retaguarda pude entender que a morte tinha som, cheiro, intensidade e diferentes formas, comecei então entender um pouco do universo que de maneira literária aprendi na graduação.

Trago um pouco do olhar e experiência que tive para que possamos juntos entender o quanto ainda nossa cultura, crenças e costumes fazem com que pensemos a morte de uma maneira distanciada. Sendo assim para que possamos ampliar nossos olhares, trarei alguns apontamentos sobre como lidamos com a morte em nossa sociedade e em publicação próxima estenderei esse olhar para outras tribos, guetos e sociedades.

Nesse contexto temos a tanatologia ciência que se dedica a estudar a morte e o morrer, mas antes de mais nada vamos nos inteirar sobre a definição literal da morte, segundo o dicionário Michaelis “morte mor·te sf 1 Ato de morrer; fim da vida, 2 Cessação definitiva da vida para o ser humano; falecimento, passamento, trespasse, 3 Ao ou efeito de matar, 4 [com inicial maiúscula] Ser imaginário representado por um esqueleto humano que carrega uma foice,5 REL Passagem da alma, que estava ligada ao corpo material, para o plano espiritual e 6 FIG Intensa angústia. A partir da definição notamos que a morte é vista como algo imaginário, penoso, angustiante ou ocasionada por alguém ou algo.

Podemos observar que a morte não é definida como algo natural e universal, essa passou a ser um processo institucionalizado, em gerações anteriores morria-se em casa ao passo que o velório também ocorria em casa, as salas eram preparadas e ali todo ritual acontecida, nos dias de hoje vemos a institucionalização da morte que ocorre cada vez mais em instituições de saúde, onde as equipes pouco ou nada sabem o que fazer ou não na condução do morrer, há grande preocupação em evitar sofrimento no processo de morte, em muitos casos evita-se o contato com a morte do outro e com seus próprios sentimentos sobre sua morte e seu morrer.

Para finalizar sugiro aprofundarmos a busca por respostas para as perguntas: como é o morrer para os orientais, judeus, indígenas entre outros, tente investigar como seus avós e bisavós lidavam como a morte e também pensar como eu encaro a morte.


GABRIELA DE CARVALHO

É Gerontóloga, escreve na coluna de Gerontologia do BLOG GERATIVIDADE toda primeira semana do mês.

contato: gabrielacgerontologa@gmail.com

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