E a música na sua vida?


Musicoterapia, produção independente

Essa semana, estava eu estudando, quando me deparei com um artigo científico em que os autores foram estudar milhares de artigos que juntavam informações sobre pacientes com quadros demenciais e música. Ao ler, fiquei pensando o quanto a música acaba influenciando nossa rotina e resolvi me aprofundar em mais alguns estudos, que divido com vocês hoje aqui nesse texto.

A neurociência, ou seja, a parte da ciência que estuda as milhares de relações do cérebro, já conseguiu comprovar o quanto a música nos faz bem, em diferentes aspectos da nossa vida. Já reparou o quanto às vezes uma música nos marca em um momento específico da nossa vida e é só ela tocar que lembramos do ocorrido? Isso porque já se descobriu que muitas das nossas memórias são armazenadas em nosso cérebro pela influência da carga emocional que vem junto. Neste caso específico, não é a música que vai fazer a memória ser guardada, mas o fundo emocional do ocorrido. A música, nesse contexto, entra com o que podemos compreender como um fator de associação na memória. Assim, quando a música toca, ela ajuda nosso cérebro a se recordar, através da associação, do evento que ocorreu. Infelizmente, tanto os bons, quanto os maus eventos. Não é só através da memória emocional que aprendemos algo, mas já se sabe o quanto as emoções nos ajudam a guardar memórias e, assim, a música entra na nossa memória também para isso: ajudar a gente a aprender melhor.

Alguns outros estudos vem mostrando que ouvir músicas clássicas pode contribuir em nossa capacidade de aprendizagem e memorização. Estes estudos trazem que, através do ritmo das músicas clássicas ou outros sons ritmados, nosso cérebro, assim como outros órgãos, entra nesse mesmo ritmo, contribuindo para a manutenção dos padrões de variabilidade dos ritmos naturais de nosso corpo. A manutenção do ritmo musical para o cérebro contribui na capacidade de concentração, atenção, bem como contribui na liberação dos neurotransmissores do prazer. Existem músicas específicas de Mozart, que podem contribuir para a melhora em tarefas de organização visual e espacial.

Outro aspecto importante da música, que aí se estende para o sair para dançar, por exemplo, envolve não apenas colocar nosso corpo para se mexer - o que ajuda e muito na liberação das endorfinas , mas também a oxigenar melhor nosso cérebro. O treino de colocar nosso corpo para se mexer no ritmo da música, faz não só nosso cérebro trabalhar melhor, mas todo nosso corpo, que então vai precisar ir percebendo melhor como é todo esse processo de se mexer de uma maneira minimamente coordenada para ele mesmo. Quando dançamos, nos permitimos relaxar, divertir e isso vem, geralmente, acompanhado de outras pessoas com as quais convivemos. O sair para dançar traz também a socialização e socializar já foi muito bem estudado como fator de proteção para que a gente não se deprima ou demencie mais rápido. Estar junto de outras pessoas, conversando, interagindo, também faz parte da proteção ao nosso cérebro! Se conseguimos combinar o estar junto de pessoas legais, com música boa e a possibilidade de mexer nosso corpo como possível, estamos falando, também, de promoção da nossa saúde mental e física.

Esse estudo que me despertou o interesse, foi uma coletânea de estudos que buscou compreender como a musicoterapia pode ou não influenciar no tratamento de pacientes com demência. Explico: os autores resolveram juntar e analisar diversos estudos que trataram deste tema e, ao analisar estes, descobriram que o estudo da música pode nos beneficiar desde a aquisição melhor de ritmos, à melhora em nossa capacidade cognitiva. Treinar atividades musicais, mesmo em pessoas que já vem apresentando um quadro demencial, pode contribuir para que estes melhorem suas habilidades visuais e verbais. Então a música e sua prática podem contribuir como mais uma maneira da gente exercitar nosso cérebro, ativando este e colocando-o para trabalhar a nosso favor. Isso pode aumentar nossa cognição, assim como ajudar a atrasar algumas perdas já esperadas para idosos que estão demenciando.

Uma última curiosidade: você sabia que 5% da população mundial sofre de uma especificidade genética que as impede de compreender a música? Elas simplesmente não conseguem distinguir entre ritmos musicais. Esse déficit é conhecido como amusia congênita. E não se preocupe, a não ser que você queira se tornar músico, é possível viver sem compreender a música tão a fundo!

Então, caso tenha um tempinho sobrando, porque não aproveitar e aprender um novo instrumento? Estudar mais sobre música? Ou se permitir realizar outras tarefas que envolvam seu aprendizado, enquanto escuta um pouco mais de música? Mesmo em casa, quando estamos sozinhos, por que não colocar mais um pouco de música para nos animar nas tarefas do dia a dia? Para realizar as tarefas, estudar, reencontrar amigos, que tal musicalizar a vida?

Até o próximo texto!


CAMILLA MONTI OLIVEIRA

Psicóloga e neuropsicóloga, escreve na coluna de Neuropsicologia do BLOG GERATIVIDADE toda terceira semana do mês.

cmontioli@gmail.com

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