Pensando no roteiro...


No post anterior falamos um pouco de como o turismo pode auxiliar a socialização, a formação de vínculos afetivos, a qualidade de vida e o crescimento pessoal. Dentro de todos esses atributos, é fácil perceber a viagem como um grande benefício, mas como podemos organizá-la para que ela seja mais proveitosa?

No turismo voltado para a Terceira Idade, essa personalização torna-se ainda mais importante: quanto mais agradável for a viagem, mais as pessoas viajam e mais contribuem para o próprio bem-estar.

Por isso, segue nesse post algumas dicas para o planejamento de um roteiro personalizado:


1 – Análise da faixa etária

Alguns destinos, programas e atividades são mais propícios à alguma fase da vida. Um parque de diversões, por exemplo, costuma ser mais voltado para crianças e adolescentes; enquanto um museu e/ou uma experiência gastronômica interessa mais aos adultos. O que devemos analisar é se os equipamentos estão adaptados ao público-alvo (principalmente no turismo para Terceira Idade, a mobilidade do local é essencial para escolha), e se as atividades oferecidas no destino despertarão a curiosidade dos frequentadores.


2 – Análise das condições climáticas

O clima é um dos fatores primordiais para a escolha do destino. A preferência do viajante pela sensação de “frio” ou “calor” já seleciona determinados locais onde o clima torna-se a principal atração. Dependendo da época e estação do ano, alguns destinos são mais proveitosos: o inverno na Serra Gaúcha, por exemplo. Outro fator que deve-se sempre levar em conta é o índice pluviométrico do local no período da viagem: ficar atento às chuvas (período de cheia) podem ajudar ou atrapalhar o passeio, tudo depende do propósito.


3 – Análise do tempo disponível + distância

A escolha de um local para viajar depende também do tempo que o viajante tem disponível para realizá-la. Esse tempo pode depender de inúmeros fatores como férias, filhos, obrigações religiosas, compromissos sociais, ou só a saudade que sentimos de casa ao estarmos viajando. Maiores distâncias devem ser programadas para períodos mais longos, pois o tempo de deslocamento acaba ocupando algumas horas que poderiam ser destinadas à programação, além do cansaço durante o percurso. Não tente englobar diferentes e distantes locais em uma mesma viagem, às vezes vale mais aproveitar o máximo possível de locais próximos e similares. Está na moda: “menos é mais”, rs.


4 – Análise do valor que pode ser investido

Existem passeios e viagens para todos os bolsos. O que é interessante pensar antes de sair de casa é o quanto tem disponível para fazer essa viagem. É possível escolher um destino acessível para aquele momento, e assim aproveitar o que a cidade tem a oferecer dentro do orçamento. Se esse ano as coisas ficaram mais apertadas, não tem problema, combine com algum amigo e faça um bate-volta na praia. O importante é sair da rotina e curtir o que a viagem tem a oferecer.


5 – Análise da programação oferecida e costumes culturais

Identidade cultural é um fator bastante influenciador sobre impressão que temos do local: ela é a “cara” do destino, e a partir dela teremos (ou não) empatia com a viagem. A hospitalidade consiste em receber, hospedar, alimentar e entreter (Camargo, 2004), e é aquilo que torna o viajante mais próximo do anfitrião. As tradições culturais do local podem ser a força-motriz de uma viagem, como por exemplo; Festival de Inverno em Ouro Preto; Natal Luz em Gramado; Festa do Boi em Parintins; Carnaval no Rio de Janeiro, entre outros. A oferta gastronômica é outro atributo cultural que leva um grande número de turistas de determinadas regiões para outras cidades, buscando experimentar diferentes sabores. Leve em consideração se os costumes do destino escolhido têm relação com os interesses e histórias daquele que viaja e se despertará sua curiosidade.


6 - Análise das preferências e interesses

Por fim, existem as preferências pessoais do viajante. O período escolhido pode ser o melhor em relação ao clima; o hotel pode ser o mais bem avaliado; e a maior quantidade de dias possível disponível; que a viagem não será tão proveitosa se não for avaliada o perfil daquele que irá entrar na aventura. Se gosta de praia ou montanha; se gosta de badalação ou calmaria; se prefere conhecer lugares e história ou relaxar; se deseja fazer compras ou somente conhecer; se quer fazer amigos ou ficar sozinho. Os interesses influenciam diretamente na sintonia entre destino e turista.


Ou seja, todos esses fatores contribuem para a construção do perfil do viajante. A dica desse post é exatamente essa: avalie em qual perfil de viajante você se enquadra, pois assim cresce a chance de alinhar o passeio às suas expectativas. Além de ser um processo de autoconhecimento, o aproveitamento tende a ser maior, e a repetição do ato mais certeira.

Quem é o seu “eu” viajante?



DÉBORA BAUNGARTNER


Turismóloga, escreve na coluna de Lazer e Turismo do BLOG GERATIVIDADE toda segunda semana do mês.



Para contato: debora.baungartner@gmail.com

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