Vamos falar de cuidados paliativos


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Falar sobre o tema Cuidados Paliativos me faz recordar minha trajetória profissional onde tive que me despir de todos os preconceitos e mitos para poder compreender a magnitude e importância de se pensar e atuar neste cuidado. Já havia lido em artigos, textos e publicações sobre o assunto, mas quando se tem ali na sua frente a família, equipe médica, equipe multiprofissional, sonhos, crenças, desejos e história de vida do paciente tudo muda.

Outro viés para a compreensão do significado de tal cuidado está nas informações veiculadas pelas mídias sociais, faça a experiência de pesquisar por palavras chaves “cuidado paliativos” e “paliativos” não é incomum encontrar apontamentos que falam sobre ausência de cuidados, quando não há mais nada para fazer, prática apenas utilizada na iminência da morte, iremos a partir dos princípios dos Cuidados Paliativos desmistificar tais apontamentos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), define cuidados paliativos como “uma abordagem que promove a qualidade de vida de pacientes e seus familiares, que enfrentam doenças que ameacem a continuidade da vida, por meio da prevenção e do alívio do sofrimento. Requer identificação precoce, avaliação e tratamento da dor e outros problemas de natureza física, psicossocial e espiritual”.

Ao contrário do que se pensa cuidados paliativos não intenciona abreviar ou prolongar a vida, o princípio baseia-se em cuidar do indivíduo como ele gostaria de ser cuidado, tendo como foco principal a qualidade de vida, sendo essa definida como: “percepção do indivíduo de sua inserção na vida no contexto da cultura e sistemas de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) (1995).

Esta prática de cuidado pode ser indicada por meio da abordagem multiprofissional à pacientes portadores de doenças crônicas tais como: AIDS, Doenças Neurodegenerativas, Doenças Pulmonares, Hepáticas, Renais, Cardíacas e entre outras, desde o diagnóstico da doença, ao contrário do que se pensa e se aplica em muitos casos em que só se trabalha com os princípios quando o paciente já está processo ativo de morte.

Equivoca-se quem entende Cuidados Paliativos sob a constatação de que “não há mais nada para fazer”, para o cuidado adequado é necessária uma equipe voltada para o cuidado que vai além do controle dos sintomas biológicos, deve-se redobrar atenção para comunicação efetiva, evolução natural da doença, para que se possa empoderar o paciente e família, cabe ainda dizer que cada estratégia deve ser pensada de maneira direcionada e humanizada.

Hoje finalizo minha publicação propondo pensar sobre: Qual o significado da morte para você? Quais crenças você carrega? Insiro tais indagações para que possamos discutir e pensar sobre esse tema na próxima publicação, tratei diferentes olhares sobre esse assunto. Por fim, sugiro a leitura do livro “A morte é um dia que vale a pena viver”, obra de Ana Cláudia de Lima Quintana Arantes, médica Geriatra e especialista em Cuidados Paliativos.


GABRIELA DE CARVALHO

É Gerontóloga, escreve na coluna de Gerontologia do BLOG GERATIVIDADE toda primeira semana do mês.

contato: gabrielacgerontologa@gmail.com

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