FASES DA VIDA


Pensando no papel do lazer e do tempo livre para um envelhecimento saudável, podemos analisar as distintas visões do lazer ao longo da vida e o usufruto em cada etapa. Quais as diferenças do lazer nas diferentes fases do nosso crescimento e será que essas diferenças existem?

Na infância o lazer é valorizado, ocupando um grande espaço dentro da rotina. Logo de cara, conhecemos o prazer nas atividades de lazer. Desconsiderando aqui questões históricas ou sociais da relação criança-trabalho, é a fase da vida que mais temos acesso ao lúdico, ao jogo e à brincadeira. Porém, atualmente, duas situações apresentam-se como possíveis impedimentos dessa prática tão genuína: o adultocentrismo e o medo da violência. O adultocentrismo acontece quando os pais acabam cedendo às cobranças (cada vez mais exigentes) da sociedade, para preparação da criança para a vida adulta; submetendo seus filhos à diversas atividades e compromissos que limitam o tempo da brincadeira. O medo da violência também preocupa, pois tem deixado as crianças cada vez mais sozinhas, prendendo-se a formas de lazer passivo como televisão e computador. Ou seja, apesar de na fase infantil o lazer ser visto como um direito da criança desde o momento em que nasce, o mesmo corre riscos de interferência. Na fase adulta, o lazer começa a ser desvalorizado e visto como um luxo. O amadurecimento e as responsabilidades nos trazem o compromisso com a produtividade, considerada critério de utilidade social. Acabamos desassociando o lazer do sucesso, e nessa fase pode parecer uma indulgência, (ou até uma preguiça) perante à tantos compromissos. Essa discussão cai então no meu próprio texto de reflexão do mês passado, onde discuti sobre como podemos melhorar nosso bem-estar praticando o lazer todos os dias. Nesse caso, a maneira e caminhos de aproveitar o tempo livre acaba sendo uma escolha individual: as pessoas optam por praticar o lazer na ocasião que mais fazem questão, em detrimento de outras. Acredito ser a fase na qual mais precisamos repensar, e retomar a preciosidade do bom-aproveitamento do tempo livre.

Na velhice, o lazer restabelece o seu valor, e com uma função ainda mais revigorante do que na infância. O lazer passa a ser visto como prêmio. O tempo livre aparece como oportunidade para praticar tudo o que gostaríamos de ter feito na fase adulta, mas não pudemos por estar atrelados a outros compromissos. Contudo, está muito enganado quem pensa que o lazer do idoso é somente caminhar na praça; jogar dominó com os parentes; ir ao baile da igreja. Tudo isso também pode ser importante como distração à rotina, porém não pode restringir-se às demais possibilidades. As atividades devem buscar cumprir uma função primordial do lazer que é proporcionar condições de socialização, saúde e aumento da expectativa de vida. O idoso pode manter-se fisicamente e intelectualmente ativo através das atividades de lazer, o que é fundamental para afastar as doenças mais comuns dessa faixa etária.

Fazendo um resumo, podemos pensar em palavras-chave que situam a visão do lazer durante as fases de nossas vidas.

Lazer na infância: DIREITO. Lazer na fase adulta: LUXO. Lazer na velhice: PRÊMIO.

Será que tem que ser assim? Ou uma só palavra poderia descrever todas as fases? Lazer na vida: BEM-ESTAR

Dê a sua opinião! Que palavra (s) vocês acham que definem o lazer na sua vida e/ou nas suas fases da vida?


#lazer #geratividade


DÉBORA BAUNGARTNER


Turismóloga, escreve na coluna de Lazer e Turismo do BLOG GERATIVIDADE toda segunda semana do mês.



Para contato: debora.baungartner@gmail.com

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