O IDOSO NO MERCADO DE TRABALHO


Vamos refletir juntos novamente sobre a seguinte frase “Idoso não produz”, já que no mês de maio comemoramos o Dia do Trabalho. Você acredita que a afirmação apresentada é verdadeira ou falsa?

Abaixo entenderemos a necessidade de se compreender de que forma se dá a participação dessa parcela da população no mercado de trabalho, conceituando essa afirmação, interesses, pontos positivos e vantagens para as empresas que se preocupam com a participação dos mesmos.

No que se diz respeito à relação “trabalho x aposentadoria”, o início do sistema previdenciário brasileiro data dos anos de 1940, quando a expectativa de vida do brasileiro era de cerca de 50 anos e, portanto, os custos com o benefício eram de baixo impacto nas contas públicas.

O advento da aposentadoria representou um marco na conquista dos direitos trabalhistas, como garantia de renda após o período de trabalho e contribuição para o atendimento das necessidades dos idosos, com vistas às melhorias na qualidade de vida. A partir de então, vislumbrou-se a possibilidade do desenvolvimento de novos hábitos e comportamentos para esta população.

Entretanto, se por um lado a aposentadoria oferece, ou deveria oferecer segurança monetária, por outro, baseado no sistema econômico capitalista, traz consigo o estereótipo de inatividade e deterioração da pessoa, bem como de sua saúde mental e social.

Segundo Mori, as pessoas que envelhecem e que não participam diretamente do processo produtivo é imposto, na sociedade urbano-industrial, o isolamento social. As relações sociais estabelecidas ao longo da vida se enfraquecem ou deixam de existir (MORI, 2006, p. 14).

Nota-se que o valor do homem passou a ser medido pelo seu esforço e capacidade de trabalho e a aposentadoria sob a ótica minimalista supõe-se que o indivíduo é incapaz, já que supostamente não pode contribuir de forma rentável para o mercado.

Como já referimos, na sociedade atual, o número de pessoas idosas é superior ao número de crianças e esta realidade tende a manter-se nos próximos anos devido à constante diminuição do número de nascimento de crianças e ao aumento da expectativa de vida. Na década de 90 já se observava que fatores como a desvalorização da experiência como base do saber, o desaparecimento do papel que tradicionalmente os mais velhos tinham de conselheiros sapientes e as alterações a nível das relações familiares nas sociedades ocidentais poderiam contribuir para a segregação do envelhecimento e para o afastamento dos mais velhos em relação aos mais novos (FERNANDES, 1990).

O convívio entre gerações possibilita um maior conhecimento de todos os sujeitos envolvidos no processo intergeracional, possibilitando a minimização dos preconceitos relacionados aos idosos e sua participação no mercado de trabalho evidenciados em toda a parte, começando na família alastrando-se por toda a sociedade.

Segundo Ciceron, Não é a força, nem a agilidade física, nem a rapidez que impulsionam as grandes façanhas; são outras qualidades, como a sabedoria, a clarividência, o discernimento. Qualidades estas que a velhice não apenas conserva, mas, ao contrário, pode delas, particularmente, tirar proveito (CICERÓN, 1995, p. 28).

Compreende-se que as dimensões do trabalho para o idoso estão relacionadas ao exercício mental, não apenas como remuneração ou necessidade, mas como uma fonte de qualidade de vida.

São variados os indicadores que apontam os fatores motivacionais do idoso pela busca de inserção ou recolocação no mercado de trabalho. Um dos principais está relacionado a questão da renda. Existe um grande índice de famílias que contam ativamente com a renda fornecida pela aposentadoria para custeio de despesas e sustento da família.

Uma pesquisa de Queiroz e Ramalho (2009) aponta que entre os beneficiários, seja de pensão ou aposentadoria, os detentores de menores benefícios são os mais propensos a trabalhar.

Outros indicadores mostram que ocupação do tempo livre e o gosto por trabalhar também são motivadores potenciais na busca de recolocação do idoso no mercado de trabalho, revela pesquisa de Vanzella Lima Neto e Silva (2011).

Importante ressaltar que a inclusão do idoso no mercado de trabalho é sadia quando o mesmo é motivado principalmente pelo desejo de ser integrado novamente pela sociedade, pela satisfação de sentir-se útil e busca por qualidade de vida. Quando motivado apenas pela obtenção de renda a mesma pode se tornar prejudicial.

Considerando a demanda existente e a crescente de busca por oportunidades de trabalho pelo público idoso, é preciso planejar e estruturar postos de trabalho que tragam resultados positivos tanto para o empregador como para o trabalhador idoso.

Percebe-se que a atuação do idoso no mercado de trabalho pode ser tanto quanto na função de funcionário como também enquanto empreendedor. Independente disso, tem sido observado o interesse desse público em flexibilidade nos horários de trabalho. Somado a isso, nota-se o surgimento de um perfil de trabalhadores mais velhos com grande desejo de colaboração, comprometimento e vontade de ser e fazer a diferença.

Pode-se dizer que a relação empregador versus idosos acaba por favorecer ambos os lados, pois além de auxiliar o idoso com relação às dificuldades financeiras, colocam o idoso em uma posição chave que o torna referência dentro da empresa, pela experiência de mercado que possuem. Além do que, auxiliam os mais jovens em cargos ou atividades que necessitam de maior conhecimento prático.

Por fim, compartilho por Khalil Gibran,“Todo o trabalho é vazio a não ser que haja amor.”, que possamos espalhar muito amor por aí independente da idade.



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GABRIELA DE CARVALHO


É Gerontóloga, escreve na coluna de Gerontologia do BLOG GERATIVIDADE toda primeira semana do mês.


contato: gabrielacgerontologa@gmail.com

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