SERÁ QUE EU PRECISO DE UMA AVALIAÇÃO?

“Ah, eu ando me esquecendo das coisas”, “nunca lembro onde deixei as chaves”, “mas depois dos sessenta é normal ter Alzheimer, né?”. Será que alguma dessas perguntas significa que eu preciso de avaliação neuropsicológica?

Na verdade, não é possível a gente responder se “sim” ou “não” tão rapidamente. Alguns estudos, ou seja, pesquisadores que trabalham avaliando pessoas com diagnóstico de diferentes demências (como Alzheimer, demência fronto-temporal, demência de Corpos de Lewy, entre outros), já mostraram que, além do componente genético (isto é, dos nossos genes possuírem uma chance maior de desenvolver alguns desses diagnósticos), é necessário a influência de fatores sociais/ do ambiente (e aí entram milhares deles! Desde alimentação, estudos, cultura, sono…) e a mistura desses dois (os genes e os fatores sociais e do ambiente) é que pode levar algumas pessoas ao desenvolvimento de alguns quadros demenciais e outras pessoas não.

Outros pesquisadores, por exemplo, já descobriram que, quanto mais estudamos, mais criamos o que eles chamam de uma “reserva cognitiva” que pode ajudar a prevenir quadros demenciais. Como ela funciona? É como se, quando estudamos, lemos, realizamos tarefas que coloquem nossa “cuca” pra pensar, mais estamos trabalhando e ajudando-a a se fortalecer. Com o passar da vida, é como se o cérebro ficasse com mais comida em sua dispensa para poder gastar quando, ao envelhecer, ele já não conseguisse comida do mesmo jeito que quando novo. Mas voltando à pergunta inicial, será que é sempre necessário fazer uma avaliação? Depende do seu objetivo! Algumas pessoas, ao atingirem o status de idosos, acabam se aposentando, diminuindo as atividades do dia a dia, algumas outras pessoas deixam de sair com os amigos, de praticar atividade física e acabam não realizando muitas atividades no dia a dia. Com isso, acabam não exercitando tanto o cérebro como antes. O importante ao pensar se está começando um quadro demencial ou não, é poder compreender como anda a rotina da pessoa. Por quais motivos ela está esquecendo seus objetos? Ela possui um lugar específico para guardar as chaves? Se não, guardar em qualquer lugar todo dia, pode acontecer dela não se lembrar mesmo de onde colocou. Alguns esquecimentos são normais. Como a gente faz para diferenciar o que seria normal e o que não? Um dos pontos é pensar no quanto tais esquecimentos estão prejudicando no dia a dia da pessoa. O esquecer onde deixou as chaves fez com que ela perdesse seus compromissos do dia? Esqueceu que pagou uma conta e pagou novamente? Isso são pequenos exemplos, ok?

Algumas vezes, os pesquisadores também já descobriram, existem alguns sinais de demências que a gente acaba passando desapercebido no dia a dia, mas que, ao ser avaliado por um profissional, podem ser observados e, com isso, estimular aquele paciente, para que as perdas (que eventualmente vão aparecer), possam aparecer mais tardiamente. Isso significa que, apesar de não ser indicado a todo mundo realizar um exame neuropsicológico, caso você tenha dúvidas sobre o quanto dos seus esquecimentos são “normais” ou não, vale a pena consultar um neuropsicólogo para que você possa ter uma noção real do quanto tem esquecido. Se estiver tudo bem ou não, existem diferentes possibilidades de acompanhamentos para ajudar uma pessoa a aproveitar o melhor de seu cérebro, em qualquer idade! E, importante: o diagnóstico de qualquer demência não é feito por um único profissional: é necessário um neurologista, terapeuta ocupacional, neuropsicólogo, gerontólogo, psicólogo, os familiares e pessoas próximas do paciente, para se compreender inteiramente o que se passa com ele e o quanto os esquecimentos têm, de fato, prejudicado sua vida. Até o próximo mês!


#Neuropsicologia #psicologia #GerAtividade

CAMILLA MONTI OLIVEIRA


Psicóloga e neuropsicóloga, escreve na coluna de Neuropsicologia do BLOG GERATIVIDADE toda terceira semana do mês.


cmontioli@gmail.com

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