AFINAL, O QUE É UMA AVALIAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA?


É muito comum que os pacientes me procurem porque o médico solicitou uma avaliação neuropsicológica, mas não fazem ideia do que seja esse exame e me questionem se é algo que “demora muito, mais de uma hora?” e então eu explico, rapidamente por telefone, que, apesar de ser um exame, ele é muito diferente do que conhecemos como um exame de sangue, ou uma ressonância magnética, por exemplo.

A neuropsicologia, conforme uma das maiores autoras da área no mundo define, é a parte da ciência (sim, neuropsicologia faz parte das neurociências, ou seja, das ciências que envolvem entender o funcionamento do nosso cérebro!) que busca compreender a relação que existe entre nosso cérebro e nosso comportamento e, assim, busca ajudar as pessoas a compreender melhor, avaliar o que ocorre no nosso cérebro e, dentro das possibilidades, ajudar as pessoas a melhorarem algumas funções dele que podem não estar muito bem.


Então, o que seria uma avaliação neuropsicológica? Seria este exame que busca mapear e avaliar as diferentes funções do nosso cérebro com nossos comportamentos, de uma maneira que possamos compreender como essas estão organizadas, como se influenciam, assim como podemos avaliar se existem algumas funções que estão mais prejudicadas e quais estão ótimas, para se pensar, então, em como podemos colocá-las para “trabalhar” e melhorar a qualidade de vida do paciente que nos procurou. Mas quais são essas funções? São elas nossa atenção, nossa capacidade de nos organizarmos ou planejarmos, de tomarmos decisões, nossa inteligência, como está nossa linguagem, como conseguimos lidar com muita informação de uma vez, como nos seguramos frente a uma informação em vez de responder outra, de nos lembrarmos – e como fazemos isso melhor? Somos pessoas que lembramos através de ver? Ou de falar?

Por tudo isso que precisa ser avaliado é que esse procedimento acaba não sendo tão rápido quanto outros exames, pois é necessário se perguntar muito ao paciente, para que possamos compreender, de maneira integral, o que ocorre com ele e, muitas vezes, isso envolve conhecer e perguntar tambémà sua família ou outras pessoas de seu convívio, como aquele paciente realiza determinadas tarefas, como se comporta, como é seu sono – já que todas essas informações são muito importantes para que o neuropsicólogo possa compreender como é que o cérebro daquela pessoa está funcionando.

O objetivo final da avaliação neuropsicológica é poder oferecer ao profissional que nos solicitou, a compreensão de como está o funcionamento do cérebro daquele paciente, para que, assim, este profissional possa ou fechar o diagnóstico de alguma doença, ou planejar uma reabilitação, ou algum outro tipo de ajuda para aquele paciente em específico. Mas não vou me alongar mais aqui, por que aí já é assunto para um outro texto a explorarmos!

Espero poder ter conseguido transformar a parte técnica deste trabalho, em uma linguagem que fique fácil para entender por quem não seja um profissional da área. Afinal, sempre é bom poder colocar nosso cérebro pra treinar de uma maneira diferente da que ele está acostumado, né?

Abraços e até a próxima!


#Neuropsicologia #psicologia #GerAtividade

CAMILLA MONTI OLIVEIRA


Psicóloga e neuropsicóloga, escreve na coluna de Neuropsicologia do BLOG GERATIVIDADE toda terceira semana do mês.


cmontioli@gmail.com

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